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Siena: Teste de italiano para imigrantes não é ético

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Itália exige dos imigrados o conhecimento da língua italiana mas não oferece cursos de formação gratuitos, diferentemente de outros países UE.

 

 

Siena, 6 de agosto de 2010 - Os imigrantes que pretendem ficar na Itália por um período superior a cinco anos deverão fazer um teste de língua italiana. É o que estabelece o decreto do ministério do Interior de 4 de junho de 2010, assinado pelos ministros do Interior, Roberto Maroni, e da Instrução, Maristella Gelmini. Medida semelhante foi ativada também em outros países europeus como a França, a Alemanha e a Grão Bretanha.

 

A norma italiana, contudo, não pode ser considerada como um ajuste ao padrão da União Européia, porque os outros países oferecem aos estrangeiros a possibilidade de participar, sem custos, de cursos de formação. A França, por exemplo, disponibiliza aos imigrados cursos de língua francesa, com duração de 600 ou 800 horas, pagos pelo Estado.  Na Itália, entretanto, a oferta de formação é praticamente zero, explicou Monica Barni, diretora do Centro CISL – Certificação do Italiano como Língua Estrangeira – da Universidade para Estrangeiros de Siena, uma das entidades autorizadas pelo ministério a certificar a proficiência da língua local.

 

Entrevistada pelos jornais Affaritaliani e Giornalettismo, Barni declarou que  o decreto do ministério gera muita preocupação e também  problemas éticos. “Existe um pedido mas não existe uma oferta, uma situação paradoxal quando se pensa que o conhecimento do idioma é o primeiro instrumento para interagir. Desse modo se transforma, contrariamente, em uma barreira de isolamento. Como um imigrante que trabalha 10 horas por dia, e talvez tenha filhos pequenos, pode encontrar tempo para freqüentar um curso privado de italiano?”, ressaltou Barni.

 

Na Itália, evidenciou a diretora do CISL, grande parte dos cursos de italiano para estrangeiros é organizada pelas associações do voluntariado católico, como a Caritas, ou por organizações laicas. Ao lembrar que o conhecimento da língua italiana contribui para aumentar os pontos do chamado “permesso a punti”, previsto pelo “pacto de integração entre imigrantes e o Estado” - que será  obrigatório a partir de 2011 -, Barni informou que os recursos liberados pelo ministério do Trabalho, oriundos do fundo social europeu, preveem um financiamento às regiões para a formação dos imigrantes, mas tal medida não será sistemática.

 

“As previsões do governo falam de 340 mil pessoas que deverão se submeter ao teste. Destes, somente uma pequena parte receberá gratuitamente uma oferta de formação”, afirmou Barni. Além disso, ela destacou que o problema não é somente a questão de conteúdo mas também de método. “Quem estabelece, de fato, que o A2 -nível de competência fixado pelo ministério – é um requisito idôneo para ser um bom cidadão? Como serão aplicados e avaliados os testes, visto que eles serão efetuados na Questura em condições obviamente de grande estresse para o estrangeiro? Como se trata de um teste escrito, efetuado on-line, tudo indica que não será medido o conhecimento falado quando se sabe que muitos imigrantes falam italiano mas não sabem escrever. São questões que envolvem temas éticos e políticos e que não podem ser ignoradas. A língua é um direito, o problema é quando ela se transforma em uma barreira à integração”, sintetizou Barni.

 

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Última atualização em Sex, 06 de Agosto de 2010 00:31