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Regularização: as fraudes descobertas são apenas a ponta de um iceberg

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Muitos imigrantes pagaram milhares de euros por pedidos que não foram aceitos. Agora, além de terem perdido suas economias, deverão enfrentar sérios problemas.

 

 

Roma,10 de agosto de 2010 – Existe uma larga zona de sombra na regularização, povoada de trabalhadores estrangeiros que buscavam um “permesso de soggiorno” e “espertinhos” que lucraram com a situação deles. A “sanatoria” era reservada para “colf” e “badanti”, entre outros, com critérios muito rígidos sobre os limites de renda e as horas de trabalho, requisitos que excluíram milhares de imigrantes.

 

Entretanto, muitos conseguiram entrar recorrendo a empregadores falsos, prontos a apresentar os pedidos para eles, algumas vezes amigos e parentes ou, na grande maioria, voluntários desconhecidos procurados pelos mediadores e agências, que cobraram milhares de euros dos trabalhadores estrangeiros.

 

O jogo não funcionou, sobretudo, por causa daquele empregador que não se limitou em apresentar só um pedido, como previa a lei, mas expediu para os inúmeros “clientes” que conseguiu encontrar para multiplicar o lucro. Os “Sportelli Unici” para a imigração rejeitaram os pedidos em excesso e denunciaram as anomalias à polícia, que está descobrindo falsas regularizações em toda Itália.

 

O caso Reggio Emilia - Os casos mais evidentes, até agora, foram levantados em Reggio Emilia, onde foram denunciados 46 empregadores e 210 imigrantes. “Foram principalmente os jovens, que trabalham em negro na construção civil, que confiaram em mediadores e agências, já implicados em outras fraudes de empregadores que prometiam colocar em regra como “colf”. Esses estrangeiros chegaram a pagar entre três e 15 mil euros, mas depois os empregadores apresentaram dezenas de pedidos, sendo portanto descobertos e denunciados”, explica Simone Ruini da Comissão “Não Pacote Segurança”.

 

A Comissão está pressionado, até agora sem êxito, para uma solução política do episódio. “Com uma condenação de fraude e falsidade, esses trabalhadores serão expulsos e dificilmente poderão entrar na Itália. Todos sabem que para obter um 'permesso di soggiorno' de forma linear, com os fluxos de ingresso, é muito difícil. Eles só tentaram sair da clandestinidade e da exploração. Agora, perderam suas economias e estão desesperados”, continua Ruini.

 

“Três mil euros por um “permesso” - Khaled, um imigrante proveniente do Egito, de 25 anos, é um dos fraudadores de Reggio Emilia. “Estou na Itália há seis anos e sou um trabalhador braçal, nos canteiros de obra, mas sem “permesso di soggiorno” a situação é muito difícil. Assim, paguei três mil euros para me regularizar, mas o empregador apresentou 12 pedidos. Quando pedi o meu dinheiro de volta, fui ameaçado pelo conterrâneo que me levou na agência. Ele disse que mata a minha família”, conta.

 

Também em Reggio, outro egípcio, Omar, 32 anos, teve o pedido rejeitado porque seu empregador já havia apresentado um outro: “No patronato, informaram que podia ser feito. Assim, paguei ao empregador 3.500 euros e, além disso, gastei mais 1.500 euros entrar com um recurso no ano passado, quando rejeitaram o meu pedido via fluxos. Meu filho nasceu no Egito depois que parti e teria pago até mais para me regularizar e poder ir conhece-lo”, relata.

 

Depois, ainda existem histórias como o de Rufina, uma filipina de 38 anos que vive em Roma. Ela trabalha realmente como “colf”, mas o seu empregador é um filipino que não tem a “carta di soggiorno”, documento indispensável para os empregadores estrangeiros que queriam fazer a regularização.

 

“Paguei 1000 euros para uma filipina, proprietária de uma agência, que me garantiu que o meu empregador podia apresentar o pedido. Agora, mesmo tendo sido rejeitada, ela diz que eu não devo me preocupar porque é possível entrar com um recurso. Mas como podemos vencer se não existem os requisitos? É ela a consultora e deveria saber”, lamenta Rufina, questionando se a profissional agiu em boa fé. A ”colf” perdeu mil euros e não sabe se conseguirá a restituição.

 

É inútil iludir. Os casos descobertos se tratam somente da ponta de um iceberg. Muitos pedidos foram rejeitados, mas nem sempre se investiga o suficiente para descobrir todos os fraudadores. Ainda existem os casos de imigrantes que pagaram por pedidos que nunca foram expedidos e foram enganados com um recibo falso. Que fazer nestes casos? Um clandestino, certamente, jamais procurará a Polícia para denunciar quem o enganou, pois seria o modo mais rápido para ser expulso.

 

"É assim em toda a Itália. Fomos procurados por dezenas de pessoas que compraram o contrato por seis mil euros e agora se encontram com os pedidos rejeitados. Não podemos iludi-las, porque de qualquer forma elas têm uma parcela de culpa e é muito difícil que consigam um ‘permesso di soggiorno’, mesmo aquele só para espera de ocupação”, diz Maurizio Bove, responsável imigração da Cisl de Milão.

 

“É necessário, porém, distinguir os graus de responsabilidade: de um lado – ressalta o sindicalista – existem os exploradores que especulam, e de outro, pessoas que tentaram se regularizar desembolsando milhares de euros economizados com o trabalho negro. É problema grande: se a regularização tivesse sido para todos os trabalhadores, e não somente para aqueles domésticos, não teria ocorrido tantas fraudes”.

 

No momento parece distante uma solução política, uma espécie da “sanatoria” da “sanatoria”. Entretanto, o número de casos de fraude pode aumentar ainda mais, visto que a maior parte dos pedidos falsos foi encaminhado no final de setembro de 2009, nos últimos dias úteis da regularização, e muitos “sportelli unici” ainda não examinaram os pedidos.

 

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Última atualização em Ter, 10 de Agosto de 2010 02:26