Pesquisa revela que imigrantes estão dispostos a se mobilizar por melhores salários, estabilidade, formação profissional e segurança no trabalho.
Roma, 7 novembro 2008 – Oito em cada 10 trabalhadores imigrantes (81,1%) querem um sindicato próprio que os representem e outros tantos (76%ª) estariam prontos para entrar em greve para reivindicar os direitos. Os dados emergem do levantamento “Trabalho, direitos e integração dos imigrantes na Itália”, desenvolvido pela empresa de pesquisa econômica e social Eures. A apuração, conduzida entre junho e outubro de 2008, considerou uma amostragem de 1.105 estrangeiros regulares, provenientes de 71 países, que vivem e trabalham na Península Itálica.
Legalidade e regularização dos contratos, segurança no trabalho, proteção salarial e social, luta à precariedade e à discriminação. Esses seriam os principais objetivos, segundo o estudo, a serem perseguidos por um sindicato dos trabalhadores estrangeiros. De acordo com os dados apurados, os imigrantes do Leste Europeu (com uma adesão de 87,2%), que atuam no setor da construção (implantação elétrica), constituem o grupo que mais sente a necessidade de uma entidade representativa. Na sequência, vêm os trabalhadores do centro da América do Sul (84,5%), da África (75,4%) e da Ásia (73,2%).
A pesquisa evidenciou, ainda, que 83,2% dos entrevistados trabalham, 67% em regime de subordinação e 14,8% como autônomos, e a maioria mantêm boas relações nos ambientes onde operam. A insatisfação dos imigrantes, segundo o levantamento, é devido a baixa remuneração salarial (50% dos entrevistados), a falta de estabilidade (47,1%) e de possibilidade de formação profissional (46%) que, inclusive, superou o item sobre segurança no trabalho. Do total, apenas 35% dos trabalhadores demonstraram insatisfeitos com as condições de segurança oferecidas pelas empresas italianas. Finalmente, a pesquisa mostrou que dois em cada três trabalhadores estrangeiros estariam dispostos a se mobilizar para sustentar as próprias reivindicações (76,3%).
Segundo a Eures, “se todos os trabalhadores estrangeiros cruzassem os braços, além dos efeitos fortemente negativos sobre o Pil nacional (do qual produzem quase 10%), alguns setores correriam o risco de uma paralisação. Principalmente aqueles que são o mais abandonados pelos italianos, como os serviços às famílias, onde o componente estrangeiro contribui com 67% da força produtiva. E, ainda nos setores agrícola, que absorve 20,9% da mão de obra imigrantes, construção civil (19,7%), turístico receptivo (20,9%), têxtil (14,8%), indústria de couro - curtume - (15,7%), metalurgia (14,6%) e indústria geral (12,9%).