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"Classes pontes" são "classes guetos", afirma Ghizzoni do Pd Print E-mail
Aprovação das classes diferenciadas, segundo oposição, é a celebração do aniversário de 70 anos da lei para a defesa das raças.

Roma, 18 outubro 2008 – Há dias, vozes da oposição, dos sindicatos e até vindas do exterior ressaltam indignação à aprovação, por 265 votos a favor e 246 contra, das classes diferenciadas para filhos de imigrantes propostas pela Lega Nord. O texto também veta a inserção de estudantes estrangeiros nas classes ordinárias depois de 31 de dezembro de cada ano e prevê a distribuição dos mesmos proporcionalmente ao número total de alunos por sala de aula.


Na contra-mão das vozes de repúdio, a Ministra da Instrução, Mariastella Gelmini, em entrevista concedida ao Mattina 5, avaliou como positiva a proposta da Lega para os filhos de imigrantes. “As classes de inserção não são um problema de racismo, mas de didática. Sem conhecimento da Língua Italiana não tem integração. Se queremos acolher as crianças estrangeiras de maneira adequada, devemos investir em recursos que permitam os jovens imigrantes conhecerem a Língua do País para se integrarem melhor”, defendeu a Ministra.


“É dado real que a forma como a escola está organizada hoje, não consegue absorver bem uma função importante como a de integrar alunos imigrantes. Pais que têm filhos nas salas de aulas do Elementar sabem que existem muitos problemas legais para a inserção das crianças porque muitas não conhecem o italiano. Em muitas classes o aprendizado e a integração das crianças estrangeiras são lentas porque não existem cursos específicos de ensino da nossa Língua”, salientou.


A defesa da Ministra, porém, não abrandou o tom de Manuela Ghizzoni, chefe de grupo do Pd na Comissão de Cultura da Câmara. “A moção aprovada pela maioria para a instituição das classes guetos para os extra comunitários recorda com embaraço o artigo 1 das leis raciais. Naquela indigna medida se reconhecia a necessidade absoluta e urgente de dar uma instrução elementar diferenciada aos jovens de raça hebraica, instituindo, a custo do Estado, sessões especiais de escola elementar nas localidades em que o número de tais alunos não fosse inferior a 10.”


“O decreto que previa as medidas para a defesa da raça, de 5 de setembro de 1938, foi publicado no Gazeta Oficial de 25 de outubro de 1938, exatamente há 70 anos. Assim, parece que a moção da maioria tenha celebrado dignamente esse vergonhoso aniversário. Com a moção, a Lega introduz de fato à nossa constituição um abominável legislativo, ético e político, que mais sugere a vontade de jogar gasolina sobre o fogo e alimentar aquele racismo sempre menos deslizante no País”, disse Ghizzoni.


“A xenofobia e o racismo só podem ser combatidos com a integração e isso ocorre primeiramente na escola, onde se formam e crescem pessoas que não podem ser consideradas imigrantes de segunda geração, mas novos cidadãos italianos. Embora se reconheça a existência de um problema didático associado à imigração, a criação de classes guetos não é solução. Com esse propósito, pedimos ao governo empenho na atuação de um plano nacional de ensino do Italiano às crianças migrantes e contenção de recursos como o de classes diferenciadas”, finalizou a representante do Pd.


Fora do território italiano, a aprovação das “classes pontes” também foi recebida com críticas indigestas. “Nova iniciativa racista do Parlamento de Roma: a Itália veta os estrangeiros a estudar com outros alunos”. O amargo título estampou, ontem, a primeira página do diário saudita Al Watan, que destacou o comentário do deputado de origem marroquina Suad Sbai, que vê na aplicação da medida, segundo o jornal, “ o risco de provocar uma grande fratura na sociedade italiana”. Por sua vez, a Comissão da União Européia para Assuntos Sociais e Pari Oportunidades, através do seu responsável Vladimir Spidia, pronunciou que as “classes pontes” para os imigrantes nas escolas italianas são difíceis de aceitar, mas a “UE não tem possibilidade de intervir porque cada Estado da União é absolutamente soberano quanto a matéria escola.”

 

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