Direção do “Il Giornale” divulgou uma nota, na qual se dissocia dos comentários deixados por seus leitores sobre o naufrágio de um barco de imigrantes em Lampedusa.
Lampedusa, 7 de abril de 2011 - "Esperamos que não encontrem outros com vida", "Pena, muitos sobreviveram", "Naufrágio de um barcone? Quem se importa?" - estes foram alguns comentários deixados por leitores do "Il Giornale" no site da empresa sobre a notícia da tragédia ocorrida ontem em Lampedusa, onde uma embarcação com 300 migrantes afundou.
A apologia à morte de imigrantes feita pelos leitores do “Il Giornale” levou a redação do jornal a emitir uma nota - mas só no final da tarde – dissociando-se dos comentários expressos. "Il Giornale.it se dissocia e considera deplorável, de maneira mais absoluta, alguns comentários escritos pelos leitores sobre este artigo. Devido o conteúdo ofensivo, muitos comentários foram removidos. Convidamos todos os leitores a manter o debate sobre um plano mais civil e sem provocações gratuitas", diz a nota.
A precária embarcação de migrantes e refugiados, principalmente somalis, bengalis, sudaneses e eritreus, proveniente da Líbia, afundou a 65 quilômetros da Ilha de Lampedusa, em águas territoriais de Malta. A Guarda Costeira italiana e pescadores sicilianos conseguiram salvar, até o final da tarde de ontem, 50 das 300 pessoas que estavam a bordo do barco. Segundo informações da Organização Internacional da Imigração (OII), entre os imigrantes estavam cinco crianças e 40 mulheres, das quais apenas duas sobreviveram.
A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Unhcr), Laura Bodrini, entrevistada pela Rádio Vaticana, disse que o número de mortos pode chegar a 200. "Os sobreviventes chegaram em Lampedusa com o terror no rosto, em estado de choque", disse Bodrini, informando que uma das duas mulheres sobreviventes está grávida.
A Guarda Costeira da Itália investiga as circunstâncias do naufrágio. Segundo as primeiras informações divulgadas, o barco havia partido da Líbia há pelo menos dois dias. Sobreviventes contaram aos representantes da OII que eles conseguiram nadar até os barcos de socorro que se aproximavam, mas vários outros se afogaram porque não sabiam ou não conseguiam nadar.
O capitão de um pesqueiro siciliano, que conseguiu resgatar três pessoas, disse que a cena foi impressionante. "Foi terrível. As cabeças dos náufragos ficavam fora da água e depois afundavam. Todos gritavam por socorro", relatou Francesco Rifiorito à Ansa.
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