
A denúncia do Siulp e da Anfp: "Menos recursos para as 'Questure', prazos mais longos para os “permessi”.
Roma, 22 de julho de 2010 – Punho de ferro com os clandestinos e luvas de veludo com os regulares? A situação não é tão simples. As boas intenções do governo não andam pari-passu com a manobra econômica. É o que afirmam os policiais, que são chamados a controlar o território e administrar a burocracia dos permessi di soggiorno, mas agora lançam o alarme frente a um novo corte de 600 milhões de euros, ao bloqueio das renovações de contratos e aos tetos salariais. Eles anunciam o impacto da manobra frente à imigração.
“A Polícia terá que trabalhar menos. Não terá outra saída senão diminuir os controles sobre os irregulares e sobre aqueles que os exploram com o trabalho negro e em condições desumanas, que é a verdadeira praga deste país. Para os regulares, aumentará o prazo de espera para a concessão e a renovação dos permessi e de outros procedimentos confiados às Questure”, afirma Felice Romano, secretário geral do Sindicato Italiano Unitário dos Trabalhadores da Polícia.
“É evidente que será necessário redirecionar os poucos recursos disponíveis para algumas atividades em detrimento de outras”, explica Romano. Um exemplo? “Um questore não pode fechar o estádio, deve continuar a mandar agentes às partidas para garantir a ordem pública. Para fazer isso, reduzirá os horários de atividade dos departamentos de imigração e as práticas se acumularão ainda mais.”
“A manobra – acrescenta o sindicalista do Siulp – considerou o setor nevrálgico da segurança como um setor qualquer da Administração Pública, mas isso impedirá atender eventuais emergências. Se no próximo ano Gheddaffi parar de colaborar, não teremos mais meios nem homens para fazer frente aos desembarques.”
A associação nacional dos funcionários da polícia defende a mesma linha. “Os cortes são incoerentes com escolhas feitas por este governo para combater a imigração clandestina. De um lado introduz o crime de clandestinidade, de outro corta os recursos para encontrar os clandestinos e para processá-los. Ou se investe na segurança ou não tem segurança”, denuncia Enzo Letizia, secretário nacional da Anfp.
“Nas forças da Polícia – faz notar Letizia – hoje faltam 20 mil homens e não me parece que as entidades locais estejam prontas para assumir nossas funções na gestão da imigração regular. Portanto, se prevê mais atrasos com os permessi di soggiorno, sem contar que aumentam as dificuldades para os regulares e para as empresas que querem assumi-los. Cresce também a desconfiança nas instituições e transforma o campo mais fértil à irregularidade.”
Aos cortes, informou o secretário nacional da Anfp, se acrescentarão o vencimento dos contratos dos trabalhadores a tempo determinado e provisório que hoje dão uma mão às Questure. “Diante das nossas carências, esse contingente de servidores era precioso. A impossibilidade de renovar as contratações por certo não será indolor”, admite Letizia.
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