
Dos 41 corpos identificados, um já foi confirmado como sendo de um homem brasileiro. A informação é do cônsul Márcio Lage, que acompanha os trabalhos de identificação das vítimas do massacre no México.
Brasília, 27 de agosto de 2010 - O processo de identificação e o envio ao Brasil dos corpos dos brasileiros que estavam entre os 72 imigrantes massacrados na fronteira do México com os Estado Unidos devem demorar, no mínimo, duas semanas. O cônsul do Brasil no México, Márcio Lage, informou nesta sexta-feira que dos 41 corpos identificados até agora, apenas um foi apontado como sendo de um homem brasileiro. Mas, segundo Lage, o número pode subir considerando a evolução dos trabalhos.
Designado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil para acompanhar os trabalhos de identificação e transporte dos corpos, Lage aguarda autorização para seguir para a cidade de Reynosa, para onde serão levadas as vítimas. Ontem, ele se reuniu com autoridades do governo do presidente do México, Felipe Calderón, policiais, representantes da Procuradoria-Geral da República e legistas. Também participaram das reuniões diplomatas de Honduras, do Equador e de El Salvador, pois entre as vítimas havia pessoas desses países.
Em entrevista concedida à Agência Brasil, Lage informa como estão sendo conduzidos os trabalhos de identificação pelas autoridades mexicanas que, no último final de semana, divulgaram o massacre brutal de 72 imigrantes, na cidade de San Fernando, em Tamaulipas, fronteira com os Estados Unidos.
Como estão os trabalhos de identificação dos corpos das vítimas?
Márcio Lage – Não tivemos acesso ao local onde estão os corpos, próximo à cidade de San Fernando. O local fica a cerca de 150 quilômetros da fronteira. As autoridades informaram que não havia condições de nos garantir segurança nesta área, por isso estamos aguardando a autorização para seguir para Reynosa, local para onde serão levados os corpos.
Fontes não oficiais afirmam que o número de vítimas supera 72 e que há apenas um brasileiro. O senhor já tem alguma informação sobre esses novos dados?
Lage – O que nos foi informado é da existência de 72 vítimas. Outros corpos podem não estar ligados diretamente a esse crime de San Fernando. Até ontem à noite, 41 corpos tinham sido identificados. Com isso, o dado é que apenas um homem brasileiro foi identificado. Mas é possível que esse número suba, sim. Mas é preciso aguardar o avanço dos trabalhos.
Visto que muitos desses imigrantes não tinham passaporte, há riscos de ocorrer erros de identificação?
Lage – Eles podiam não dispor de passaporte, mas algum tipo de documento de identificação certamente tinham. A partir daí será possível identificar e descobrir a nacionalidade de cada um. Inicialmente a informação que nos foi transmitida é que eram quatro brasileiros. Ainda trabalhamos com esse dado.
Pelas informações que o senhor dispõe, quanto tempo levará para que as famílias recebam os corpos no Brasil?
Lage – Pelo que as autoridades nos informaram, todo o processo deve durar, no mínimo, duas semanas. Há uma série de exames laboratoriais que devem ser feitos, a conclusão das autópsias e os laudos. Além disto, há também a parte de burocracia.
O Itamaraty vai cuidar da documentação e do transporte dos corpos dos brasileiros assassinados?
Lage – Esta é uma última etapa. O Itamaraty vai informar os procedimentos para que as famílias tenham condições de realizar os funerais dos seus parentes no Brasil.
Agência Brasil
| < Anterior | Próximo > |
|---|




