“Decretos fluxos mostram que o governo retrocedeu em sua política de imigração”, afirma senadora
“A publicação de decretos fluxos autorizando a entrada de novos trabalhadores imigrantes mostram que o governo está tentando desmentir a sua própria política de imigração, que por dois anos fechou as portas aos ingressos regulares com o argumento de que era preciso dar emprego aos italianos. Uma campanha que causou muitos danos e que agora, devido os fatos evidentes, obriga o governo a retroceder”.
É esta a opinião de Lívia Turco, responsável para a Imigração do Partido Democrático (PD). “Não acredito que os fluxos resolverão o problema da demanda de trabalho imigrado que existe no nosso país”, afirma Turco em entrevista a Stranieri in Italia.
A senhora fala de demanda de trabalhadores estrangeiros. Mas não tem, ao contrário, a necessidade de dar um “permesso di soggiorno” a milhares de clandestinos?
“Têm ambas coisas. Existe demanda de novos trabalhadores imigrados, mas também a exigência de regularizar muitos irregulares. Irregulares que não são delinqüentes, mas simplesmente o produto da combinação entre o stop aos ingressos regulares e a complexidade dos procedimentos, que estimulam as empresas e as famílias a contratar em negro”.
Vocês haviam pedido uma nova regularização ao Parlamento?
“Nós apresentamos uma ordem do dia e um projeto de lei para uma regularização focada aos setores com maior necessidade de trabalho imigrado e para as áreas onde ocorrem muita irregularidades, como na agricultura e no setor manufatureiro. De fato, gostaríamos de estender para outros setores, individuados pelo governo, a regularização já feita para colf e badanti. Insistiremos mais neste tema”.
Os fluxos já não atendem essa demanda?
Sim, mas são uma resposta parcial e insuficiente. Os trabalhadores que já estão aqui deverão voltar para os próprios países para pegar o visto, com um aumento de custos e esforços.
Os primeiros testes de italiano, para a “carta di soggiorno”, já começaram. É justo pedir aos imigrados que apreendam a nossa língua?
Acho que sim. Sobretudo é uma grande oportunidade que deve ser dada a todos os imigrantes. Mas o tema não deve se reduzir somente ao teste. Nós queremos um plano nacional para o ensino da língua e da cultura italiana aos imigrados, com cursos gratuitos organizados pelas entidades locais. Os imigrantes devem ser solicitados a segui-los, devem ter as oportunidades. Não se pode deixar tudo nas costas do voluntariado ou dos Centros territoriais permanentes, já atingidos duramente pelos cortes à Escola pública.
Como um trabalhador pode encontrar o tempo para apreender também o italiano?
O nosso plano também prevê que as empresas promovam cursos e que os imigrantes possam segui-los no âmbito das 150 horas de permissões pagas previstas por motivo de estudo.
Como os cursos seriam pagos?
Prevemos uma liberação de 30 milhões de euros a partir de 2011. É preciso ter um fundo público do governo e das Regiões e ao qual confluam também recursos particulares e parte das contribuições pagas pelos próprios trabalhadores estrangeiros ao INPS.
A diretiva europeia sobre repatriamentos não foi aplica em tempo e agora vários tribunais estão suspendendo a prisão dos clandestinos. Qual é a sua opinião sobre isso?
A diretiva deixa claro que é preciso mudar a lei Bossi-Fini. Não acho que a gestão deste grande tema deva ser deixado à decisão dos magistrados que avaliam e interpretam cada vez a diretiva. É preciso aceitar este fato e adequar logo a legislação italiana.
Maroni anunciou contra-medidas. O governo se adequará?
Não creio. Vejo, ao contrário, o risco de mais um braço de ferro com a Europa, como aconteceu com outras normas do pacote segurança.
O PD prometeu candidatar um romênio às próximas eleições políticas. A Itália está pronta para ter parlamentares de origem estrangeira?
Acho que sim. É uma batalha que eu sempre levei para frente e desta vez gostaria de ser mais ouvida pelo meu partido em relação ao passado. A idéia de uma nova Itália e de uma nova classe dirigente deve prever também novos cidadãos no parlamento.
Elvio Pasca
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