
Depois da corrida do mês passado, agora os estrangeiros esperam até o último dia útil para apresentar o pedido de renovação do documento
Quem chega hoje à Itália pela primeira vez, certamente não escapa de pagar a nova taxa da permissão de estadia, visto que o prazo para apresentar o pedido é apenas de oito dias, a partir da data de ingresso no país. Entretanto, aqueles que precisam renovar demonstram que vão esperar até o último dia do prazo, dois meses, para apresentar o requerimento. Comprova o fato, a diminuição dos pedidos que vem sendo notada pelos sindicatos que, antes de 30 de janeiro, quando a taxa entrou em vigor, registraram um aumento de pedidos de assistência para o preenchimento dos requerimentos.
A tendência é confirmada por Qamil Zeinati, da Uil de Prato. “Antes, os nossos guichês preparavam uma dezena de pedidos por dia. Em janeiro tivemos um boom, agora estamos parados. Desde 1 de fevereiro até hoje fizemos apenas 15”, diz Zeinati. Ele revela que a resistência, em muitos casos, se deve a uma questão prática. “Muitos não têm meios para pagar a taxa. Temos diversos casos de pessoas que perderam o trabalho e para poderem renovar a permissão pediram para serem contratados como domésticos por familiares ou amigos. Nessa situação, pagar € 100 a mais por uma permissão é extremamente pesado”, afirma.
O co-presidente da Anolf Cisl de Turim, Mohammad Reza Kiavar,
também diz ter notado um congelamento nos pedidos de renovação dos “permessi di soggiorno”. “Nós trabalhamos por agendamento e quem já tem um dia marcado vem e pede ao nosso operador que preencha o requerimento. Depois, visto que o formulário não vence, segura o envio para ganhar tempo para que modificações cheguem”, informa Kiavar. Ele complementa que a entrada em vigor da taxa, apesar dos anúncios de Cancellieri e Riccardi, desiludiu muitos estrangeiros, mas mesmo assim eles têm esperança que alguma coisa mudará. “Existe um clima de confiança pelo comportamento deste novo governo em relação aos imigrantes que não se via no governo precedente”, ressalta.
Na Cisl de Milão a diminuição do público ainda não é perceptível, porque os atendimentos já haviam sido fixados. Entretanto, o sindicato está avisando os usuários que existe um confronto aberto com o Ministério do Interior para a revisão da contribuição. O responsável pelo setor de imigração da Cisl, Maurizio Bove, evidencia que a nova contribuição é particularmente cruel para quem está desempregado. “Quem perdeu o emprego, e com a crise ocorre sempre com mais freqüência, deve pedir uma permissão de estadia de seis meses para espera de ocupação e pagar € 80 a mais de contribuição. Se dentro de seis meses encontrar um novo trabalho deverá pedir um outro permesso di soggiorno e, portanto pagar a taxa novamente”, exemplifica Bove o drama que muitos imigrantes estão vivendo.
Elvio Pasca
| < Anterior | Próximo > |
|---|




