
A nacionalidade dos clientes não será mais um fator determinante para o custo das apólices para autos da Quixa e Zurich. Antes de serem obrigadas pela sentença de um juiz, as duas companhias desistiram voluntariamente de aplicar as tarifas étnicas.
Alvos de uma ação civil anti-discriminação, apresentada meses atrás pela Associação de Estudos Jurídicos sobre Imigração (Asgi, sigla em italiano) e “Avvocati per Niente ( Onlus”, as duas empresas praticavam tarifas diferenciadas para imigrantes sob a justificativa que as estatísticas demonstravam que a nacionalidade influía nos comportamentos dos motoristas e, por conseqüência, gerava determinados tipos de riscos.
Assim, a Zurich era justificada a cobrar uma tarifa de € 465 para um italiano e € 665 para um albanês, enquanto a Quixa estabelecia o preço de € 414 para um italiano e € 625 para um imigrante proveniente de Camarões.
Para a Asgi e Apn, as tarifas étnicas propostas pelas seguradoras constituíam uma discriminação aos clientes estrangeiros, portanto, uma prática proibida pela lei. No final de janeiro, o Departamento Nacional Antidiscriminação Racial (UNAR) também recomendou que as companhias oferecessem “tarifas independentes da nacionalidade” dos clientes.
Alguns dias antes da audiência, prevista para este mês fevereiro, as seguradoras informaram as associações, por meio de dois comunicados idênticos, que renunciavam de “forma definitiva” o parâmetro da cidadania para a definição das tarifas. Nas notas, ressaltam que agiram em “total boa fé e sem qualquer intenção de discriminar”.
A Zurich Insurance já fez a retificação das tarifas no dia 1 de janeiro de 2012, enquanto para as apólices estipuladas pela Zuritel SPA as novidades incidem a partir de 30 de abril de 2012. A Quixa, por sua vez, promete eliminar o parâmetro da nacionalidade a partir de 30 de junho de 2012.
A Asgi e Apn, que precedentemente haviam conduzido uma ação semelhante para a companhia Genialloyd e obtido o mesmo resultado, renunciaram ao recurso contra a Zurich e a Quixa e devem comunicar a conclusão do caso à Comissão Europeia, que havia sido informada sobre as discriminações praticadas pelas empresas.