
De um grupo de 391 migrantes atendidos no serviço de medicina geral do poli-ambulatório da Caritas de Roma para pessoas em condições de fragilidade social, 73,65% enfrenta graves dificuldades de vida na Itália e mais de 10% sofre de um distúrbio pós traumático devido estresse
Dados apresentados durante a 11a. Convenção “Italian National Focal Point – Infectious Diseases and Migrant” indicam que num grupo de 391 migrantes, atendidos no serviço de medicina geral do poli-ambulatório Caritas de Roma para pessoas em condições de fragilidade social (imigrantes não inseridos e requerentes de asilo), 73, 65% revela graves transtornos psicológicos e mais de 10% sofre de um distúrbio pós traumático de estresse (Ptsd). Para cada dificuldade pós-migratória enfrentada, segundo os especialistas, o risco de desenvolver o Ptsd sobe para 1.19 pontos a mais.
O Distúrbio pós-traumático de estresse, de acordo com Massimiliano Aragona, psiquiatra do projeto Caritas “Feridas Invisíveis”, leva um indivíduo a viver em estado emotivo de forte alarme, com pensamentos intrusivos e que se referem a experiências traumáticas vividas. Os sintomas se traduzem na dificuldade de concentração, insônia, pesadelos, tendência ao isolamento, por medo de sofrer novas violências, dores e outros problemas de caráter psicológico.
As pessoas que se encontram nessas condições, acrescenta Aragona, têm grandes dificuldades na vida cotidiana: “se não conseguem se concentrar não conseguem aprender e podem enfrentar problemas no trabalho”. Nos casos mais grave, ilustra o psiquiatra, são tão aterrorizadas que não conseguem nem ao menos pedir o reconhecimento da condição de refugiado na “Questura”, por exemplo, pelo simples fato que ver alguém com uniforme recorda as violências sofridas na pátria.
“É preciso compreender a vulnerabilidade dessas pessoas e entender que sem proteção e o devido tratamento, elas têm sérias dificuldades para se integrarem no tecido da sociedade italiana”, disse. Agarona acrescenta que, ao quadro psicológico decorrente da condição de migrante, inserem-se ainda as dificuldades de vida pós-migratória, que para muitos se transformam em novos fatores de traumas, que insurgem ou pioram os sintomas de problemas psicológicos. As dificuldades sociais dos migrantes podem ser motivadas pelas condições de trabalho, de moradia, de acesso à saúde, de discriminação, mas também pelas preocupações com as famílias deixadas no país de origem.
O presidente do Instituto Superior de Sanidade, Enrico Garaci, declarou que os dados que emergem do trabalho desenvolvido pela Caritas confirmam que o conceito de cura deve ser global e vai além de cada intervenção terapêutica. Para essa população imigrada, segundo Garaci, é fundamental manter uma atenção alta ao fato que o sofrimento psíquico é reflexo, não só das fortes dificuldades materiais, como também do processo de se ter que deixar um lugar onde estava radicado e da própria solidão que implica essa escolha.
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