
Conhecido no Paraguai como o "Rei da Soja", Tranquilo Favero é declarado "pessoa não grata" em Assunção
A Junta Municipal de Assunção aprovou, ontem (15), uma resolução declarando o produtor de soja brasileiro Tranquilo Favero “pessoa não grata” por “denegrir o povo paraguaio”. Os conselheiros municipais também aprovaram uma segunda resolução que autoriza o poder Legislativo Municipal de enviar aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior, bem como ao Departamento Nacional de Migração, um pedido para que seja revogada a cidadania paraguaia concedida ao fazendeiro.
Conhecido como “O Rei da Soja”, Favero é um dos maiores proprietários de terras do Paraguai, onde vive há mais de 40 anos.Em meio à disputa com os carperos (sem-terra paraguaios), o latifundiário opinou que "é preciso tratá-los como mulher de malandro, que só obedece a pauladas". Ele também elogiou o regime ditatorial no Paraguai do general Alfredo Stroessner, cujo governo promoveu a entrega de terras a colonos brasileiros, conhecidos como "brasiguaios".
As declarações de Favero à imprensa brasileira repercutiram no país e, segundo a vice-presidenta do Partido do Movimento ao Socialismo (P-MAS), Rocío Casco, provocaram indignação entre lideranças políticas e sociais
No Twitter, a vereadora Karina Rodrigués anunciou que ambas as resoluções foram aprovadas por unanimidade. Para o partido de esquerda, além de denegrir a figura da mulher, o brasileiro fez apologia à violência.
Segundo a IP Paraguay, agência de notícias pública paraguaia, o P-MAS já havia divulgado, no dia 14, um comunicado repudiando as expressões sexistas e os elogios que Favero fez à ditadura do ex-presidente Alfredo Stroessner (1954-1989).
Procurada, a assessoria de Favero disse que o empresário e seus advogados estão estudando o que fazer para reverter a situação, da qual ainda não foram oficialmente comunicados, tendo tomado conhecimento por meio da imprensa paraguaia. A assessoria disse que o fazendeiro não pretende conceder novas entrevistas.
A decisão foi anunciada poucos dias após os carperos darem um ultimato ao governo do presidente Fernando Lugo. Eles querem uma solução para a questão das terras ocupadas há décadas por colonos brasileiros. "As terras foram adquiridas ilegalmente e precisam ser restituídas ao Estado", disse Federico Ayala, um dos líderes dos carperos.
Os conflitos por terra se intensificaram nos últimos meses, quando as ocupações e cercos à propriedades de brasileiros aumentaram. Sobretudo na cidade de Ñacunday, onde ficam as terras de Favero, que os sem-terra vêm ameaçando ocupar há semanas. Em 2008, uma propriedade dele no município de Capiibary, a cerca de 350 quilômetros ao nordeste de Assunção, chegou a ser ocupada por sem-terra.
Com Agência Brasil
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